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Dicas importantes segundo experiências vivenciadas.

Casos de falso seqüestro aumenta em São Paulo

Blog “O Olhar Crítico”

O falso seqüestro é a nova modalidade de violência contra os brasileiros. O telefone toca, uma voz que imita uma criança pedindo socorro para um parente, o suficiente para o seqüestrador saber todos os dados da vítima e extorqui-la.

As vítimas sentem medo ao receber o telefonema e acabam entrando em pânico. O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) mostrou que de 1º de janeiro a 25 fevereiro foram registradas 3.900 ligações, de vitimas do golpe. São em média 70 casos por dia, fora aqueles que não estão registrados. As ligações podem durar mais de um minuto, ao contrário de seqüestro verdadeiro. Os dados da Polícia Civil do Rio de Janeiro e de São Paulo apontaram que os presos fizeram cerca de 80 mil telefonemas tentando extorquir as vítimas, nos últimos seis meses. Foi assim que a dona de casa, Ivani Pereira, quase caiu no golpe do falso seqüestro, a vítima relatou que o telefone tocou umas 8 horas da manhã e no telefone, uma voz pediu socorro, “na hora me deu um desespero, rapidamente desliguei o telefone, e localizei meu filho”, afirmou a dona de casa. Já o contador, Wilson Queiroz, se desesperou quando recebeu a ligação. Ao desligar o telefone e localizar sua filha e seu neto percebeu que havia caído no golpe. “Ligaram a cobrar no sábado à tarde. Um homem chorando e me chamando de pai, pedindo que não desligasse o telefone, pois haviam roubado meu filho”. Segundo o contador, seu desespero foi o suficiente para o suposto seqüestrador saber sobre a sua vida.

O delegado e consultor em segurança Jorge Lordello, concedeu uma entrevista ao em foco, falando sobre o falso seqüestro e alertando sobre os perigos do golpe.

O Olhar crítico- Como os ladrões descobrem o número de telefone?
JORGE LORDELLO- O mercado ilegal dispõe de listas telefônicas de clientes de empresas. Não podemos esquecer que a lista de assinantes de companhias telefônicas, também são facilmente localizadas. Assim, as quadrilhas especializadas implementam um verdadeiro telemarketing do, crime e passam a ligar sistematicamente às pessoas tentando transforma-las em vítimas.

O Olhar crítico – Há alguma relação dos crimes de falso seqüestro com o PCC?
JORGE LORDELLO – As gangues que dominam a maioria das cadeias no Brasil facilitaram a entrada de celulares em presídios para terem comunicação com suas ramificações e manter diversos negócios criminosos. Os detentos, aproveitando dessa facilidade de comunicação começaram a implementar golpes em 2001 na cidade de Campos/Rio de Janeiro e depois se espalhou para todo o Brasil.

O Olhar crítico – Ouve-se muito que os telefonemas feitos são do Rio de Janeiro. Isso se confirma?
JORGE LORDELLO – Atualmente os telefonemas criminosos podem vir de qualquer parte do Brasil, mas ainda os oriundos do Rio de Janeiro são a maioria.

O Olhar crítico – Quando uma pessoa recebe um telefonema, em que não há identificador chamada. Como que a vítima sabe que se trata de umfalso seqüestro?
JORGE LORDELLO – É muito fácil descobrir que é um seqüestro fajuto. É só a vítima ter calma e pedir prova de vida, que não será fornecida, se o seqüestro for mentiroso. Solicitar aos supostos seqüestradores que façam perguntas específicas da vida do refém é uma boa estratégia para desmascarar o golpe.

O Olhar crítico – Quantas vítimas caem por dia ou ano nesse golpe do telefone?
JORGE LORDELLO- Não há registro oficial pelo Brasil. Não podemos esquecer que a maioria das vitimas não registra o Boletim de Ocorrência. Acredito que mais de três mil brasileiros diariamente recebem os telefonemas ameaçadores.

O Olhar crítico – Muitas vítimas chegam a registrar o Boletim de Ocorrência?
JORGE LORDELLO – Nem 5% das vítimas registram a ocorrência policial.

O Olhar crítico – Às vezes pelo identificador do celular o número não aparece no visor, as chamados “ligações restritas”. Como se deve proceder para registrar o Boletim de Ocorrência ?
JORGE LORDELLO- O Boletim de Ocorrência deve ser registrado, fornecendo o dia e hora exata da ligação.

O Olhar crítico A polícia tem alguma solução para diminuir ou para acabar com os golpe do seqüestro pelo telefone?
JORGE LORDELLO – Infelizmente esse tipo de crime ainda continua crescendo em todo Brasil. A polícia terá que se aproximar das companhias telefônicas para juntas encontrarem as soluções para minimizar a pratica dos crimes praticados via fone celular e fixo.

O Olhar crítico – Quando uma pessoa que está caindo no golpe do falso seqüestro, qual a primeira precaução deve ser tomada, lembrando que o desespero na hora é assustador e as ameaças são constantes?
JORGE LORDELLO – É importante a vítima refletir e não acreditar em tudo que esta ouvindo. Nos seqüestros verdadeiros, os criminosos não seguram a vítima no telefone. Muito pelo contrario. São rápidos nas ligações. Ao receber uma ligação ameaçadora, a vítima deve ter uma postura firme e chamar alguém da família ou quem estiver mais próximo para auxiliar nas perguntas a serem feitas ao suposto seqüestrador. Se o marginal não responder uma indagação sequer sobre o suposto refém, com certeza trata-se de golpe.

O Olhar crítico – O senhor já informou em seu texto que entrevistou mais de 1250 marginais e cerca de 1800 vítimas. O que o senhor ouviu e pôde sentir das vítimas e dos marginais?
JORGE LORDELLO – Os marginais procuram vítimas desatentas e que facilitem seu trabalho criminoso. Já as vitimas, tiveram na maioria das vezes, postura de vitima, ou seja, contribuíram e muito para a ação dos marginais.A conclusão é que pessoas prevenidas correm pouquíssimos riscos. Já os desatentos, se expõem ao perigo constantemente e por isso são abordados por criminosos com maior freqüência.

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