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Dicas importantes segundo experiências vivenciadas.

Mulheres em perigo

Jornal da Tarde
A vida da arquiteta Jamile de Castro Nascimento foi interrompida aos 24 anos de forma brutal quando fazia uma vistoria para avaliar um apartamento. A jovem foi assassinada friamente. O porteiro do prédio confessou o crime semanas depois. O caso soou como alerta para os riscos que as mulheres correm no trabalho, principalmente as profissionais liberais, como dentistas, corretoras e psicólogas.

O especialista em segurança e delegado licenciado Jorge Lordello disse que a sua caixa postal ficou lotada de mensagens depois que o caso Jamile foi divulgado na imprensa. “Recebi e-mails de vários cantos do Brasil de mulheres profissionais liberais. Uma delas contou que trabalha como corretora, foi assediada e, ao relatar a história para o chefe, acabou impedida de registrar queixa para não constranger o cliente e não envolver o nome da imobiliária com a polícia”, afirmou Lordello.

De acordo com o especialista, as profissionais liberais estão mais expostas aos criminosos, pois têm de encarar sozinhas situações de trabalho, como ocorreu com Jamile. Ou ainda por trabalharem em escritório ou consultório – que nem sempre contam com recepcionistas ou sistema de câmeras de vigilância.
“Num caso semelhante ao de Jamile, a profissional ao chegar no prédio pode ligar para o chefe na frente do porteiro e dizer: “Olha, acabei de chegar ao prédio e volto em 10 ou 15 minutos. Inclusive, fui atendida pelo porteiro ou zelador, o fulano de tal”, alerta Lordello. Dessa forma, a mulher inibe a ação do funcionário mal-intencionado.
» Só com hora marcada

O presidente do Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo, Pedro Petrere, tem alertado, há cerca de um mês, os jovens dentistas a não receber o chamado “atendimento de porta”. “Aqui no sindicato pedimos para que os atendimentos sejam com hora marcada, com indicação e mesmo assim é preciso pedir todas as referências possíveis”, diz.

A dirigente do Setor Técnico de Apoio às Delegacias da Mulher do Estado de São Paulo, Márcia Salgado, diz acreditar que o criminoso prefere surpreender uma mulher porque a chance de uma reação por parte da vítima é menor.
Por esse motivo, o crime pode envolver outros delitos. O que era para ser um assalto, já que a vítima está dominada, pode virar abuso sexual, pois o criminoso se aproveita da situação. “Em alguns casos o bandido rouba, violenta e, para acobertar o caso, acaba matando a vítima”, disse Márcia.

“Não disponho de dados estatísticos, mas o número de casos de roubo seguido de crime sexual é maior do que o de casos em que ocorrem apenas a violência sexual”, completou a dirigente – que tem 20 anos de experiência na Delegacia da Mulher.

De acordo com Alexandre Tirelli, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, as corretoras de imóveis são alvo muito fácil de pessoas com más intenções. “De cada dez profissionais da área, pelo menos seis já sofreram assédio. Para nós, isso é muito triste porque a presença das mulheres tem crescido e as queixas sobre isso, também. Hoje, 40% de quem atua no meio imobiliário é mulher.”

Tirelli lembra que os problemas principais vão desde só fechar negócio se a corretora sair com o comprador até homens grosseiros durante visitas em imóveis. “Na maioria dos casos, não se registra boletim de ocorrência. Tudo é resolvido no diálogo”, conta.
» Retranca

Quando soube da morte da arquiteta Jamile, a questão da segurança, que já era uma antiga preocupação, tornou-se prioridade no dia-a-dia da psicóloga Carolina Massabki Costa Pinto. A profissional trabalha sozinha. “A gente nunca sabe quem está do outro lado da linha (do telefone). Por isso, tomo bastante cuidado antes de agendar um paciente”, afirma.

Para se prevenir, ela não atende após as 18h. Como não tem secretária, tranca seu consultório e, no caso de uma consulta um pouco além do horário, avisa os advogados de um escritório ao lado.”Também ligo para os meus pais e aviso que estou em consulta. Se demorar, eles ligam.” A psicóloga diz que algumas colegas têm até um botão de pânico (linha direta com a polícia) no consultório. “Eu não descarto a hipótese de instalar um desses.”

A corretora de imóveis autônoma Penha Aparecida Farias tem um clientela definida e aposta nos funcionários do prédio em que faz visitas. “O fato de eu conhecer síndicos e zeladores me deixa mais tranqüila, mas é claro que sinto medo em algumas situações.”

Vendedora autônoma, M., 31 anos, viveu momentos de pânico com um funcionário de uma loja que atendia. Ao entregar um produto, o rapaz tentou agarrá-la. “Ele me jogou atrás da máquina de xerox. Eu consegui me soltar e fugir, mas deixei minha bolsa para trás .” No dia seguinte, M. foi falar com o dono da loja, mas soube que era o último dia de trabalho do rapaz, que desapareceu.
A psicóloga A . só atende se for indicação de um colega. Seu consultório não tem placas. “Uma vez, um paciente de 45 anos começou a perguntar da minha vida, olhar estranho, queria saber se eu era casada, tinha filhos. Interrompi o tratamento dele na mesma hora.”

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