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Dicas importantes segundo experiências vivenciadas.

Paulistanos procuram sprays, tacape e soco-inglês para autodefesa

G1 – Globo.com
Luciana Bonadio –

Soco InglêsPaulistanos investem em métodos ‘arriscados’ para se sentirem mais seguros.

O medo da violência faz com que alguns paulistanos recorram a métodos pouco tradicionais de autodefesa. Spray de pimenta, soco-inglês e até tacapes ganham espaço em bolsas, cintos ou no porta-malas de carros com o objetivo de conseguir mais segurança. Especialistas ouvidos pelo G1 alertam que o uso indevido destes objetos pode trazer riscos e, em alguns casos, podem ser considerados ilegais.

O tatuador Paulo, de 27 anos, usa há quatro anos um soco inglês na fivela do cinto. Ele garante que o objeto não é usado para brigas, serve como uma forma de se prevenir. “Se chegar um cara armado, não vai adiantar usar. Mas, em uma confusão, pode se tornar útil. Não tem porque arrumar briga com um bandido usando um soco-inglês”, acredita.

A prevenção é a principal dica do especialista em segurança Jorge Lordello para evitar assaltos ou atos de violência. “A grande arma que o ser humano tem para diminuir riscos da criminalidade é a prevenção, sem o uso de nenhum equipamento. (Estes instrumentos) vão trazer mais problema do que solução”, defende.

A primeira sugestão é sempre estar atento ao que ocorre em volta. “O importante é ter atitudes seguras para diminuir os riscos. A pessoa precisa ser atenta ao que está acontecendo em volta. Falar ao telefone em lugar de grande movimento, por exemplo, é uma atitude insegura”, afirma. Reagir, segundo Lordello, nunca é solução. “Se a fatalidade acontecer, não reaja.”

O psicólogo Antônio de Pádua Serafim, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), acredita que, no caso específico do soco-inglês, a pessoa não está preocupada com a segurança. “Não é um artefato de segurança, mas de agressividade. A pessoa pode sair (com este tipo de instrumento) por dois motivos: ou se sente ameaçado de alguma forma ou já tem uma ação prévia de comportamentos agressivos”, defende.

O capitão da Polícia Militar Marcel Soffner diz que estes objetos não podem ser utilizados para agressão, sob risco de a pessoa responder criminalmente pelo ato. “Estes não são instrumentos para uma ação, mas sim para uma defesa. Mas em uma situação que você está dominado, a regra é nunca reagir”, afirma.
» Spray de pimenta

Usado pelas forças policiais para repressão, o spray de pimenta é um produto controlado pelo Exército, cujo porte é proibido em território nacional. Policiais e guardas-civis têm autorização para utilizar o produto. Na classificação do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados, o spray aparece como categoria 1, que tem utilização, tráfego e comércio proibidos. Do mesmo grupo fazem parte a granada, os mísseis e as minas explosivas.

O spray é feito a partir da substância da pimenta que provoca a ardência. De acordo com o especialista em armas não-letais Antônio Carlos Magalhães, que trabalha na empresa que produz o gás de pimenta usado pelas polícias de todo o país, o spray provoca uma sensação de queimação, fechamento involuntário dos olhos e dificuldade de respirar que pode durar até 40 minutos.

A empresa já vendeu mais de 500 mil unidades desde 2001. “Não houve neste espaço de tempo nenhum registro de lesão ou mal à saúde”, diz. Ele defende a liberação do produto para a população civil. “Se a pessoa é idônea, pode adquirir uma arma de fogo, mas não pode comprar um spray de pimenta”, critica.

Apesar da proibição, muitas pessoas conseguem acesso ao produto, vendido em domínios brasileiros na internet e em lojas de outros países. Um tio do estudante Ricardo, de 23 anos, trouxe o spray de pimenta de uma viagem aos Estados Unidos. O jovem já o levou no bolso para sua segurança em duas ocasiões, mas nunca precisou espirrar a substância nos olhos de ninguém.

“Eu usei uma vez em um show na USP porque era de graça e achei que estaria meio pesado. Na outra vez, eu levei à Virada Cultural, no show dos Racionais”, contou. O grupo de rap se apresentou na Praça da Sé no dia 6 de maio e o espetáculo acabou em quebra-quebra. Mesmo com a confusão, Ricardo não usou o spray. “Eu comecei a ver gente saindo, sendo assaltado, e fui embora.”

Outro produto que conta na lista dos controlados é a arma de choque. Esta semana, o suposto porte de uma delas por um segurança do Congresso durante uma briga antes da sessão que absolveu o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) provocou polêmica. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) ficou revoltado com o fato. “Isso não é equipamento, não é procedimento pra se usar contra representantes do povo brasileiro”, disse na ocasião.
» Tacape no porta-malas

O engenheiro Fábio, de 30 anos, anda com um tacape no porta-malas do carro há três anos. Ele comprou a arma indígena em uma viagem a Mato Grosso e, em vez de utilizar o tacape como enfeite, decidiu usá-lo para proteção. “Eu ando com ele no porta-malas para o caso de acontecer alguma coisa, como o pneu furar em algum lugar perigoso”, conta.

Apesar de admitir que usaria o instrumento em caso de assaltos, ele diz que o tacape não traz tranquilidade. “Enquanto eu estou dirigindo, ele não está ao meu alcance. Eu não acho que é garantia de segurança, tem milhões de outras coisas que vão garantir minha segurança mais do que isso. Tem ações preventivas que são muito melhores do que qualquer ação individual.”

O psicólogo Antônio de Pádua Serafim acredita que muitas pessoas portam estes instrumentos porque se sentem mais seguras. O especialista acrescenta, no entanto, que eles podem acabar utilizados em situações desnecessárias. “Não dá para prever com clareza como você vai reagir frente a uma ameaça, depende muito da reposta emocional neste momento. De repente, a pessoa pode agir em uma situação que não seria necessária.”

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