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Dicas importantes segundo experiências vivenciadas.

Vidros da guarita de condomínio devem ser transparentes, escurecidos ou meio termo?

Recebi e-mail de encarregado de segurança de condomínio residencial vertical com a seguinte dúvida:

“Lordello, recentemente, os moradores do prédio em que sou chefe da segurança aprovaram reforma na guarita para torná-la blindada. A obra foi rápida, ficou excelente e ainda conseguimos implementar passa volume e passa documento balístico, além de duas clausuras para pedestres(social e serviço). Na minha opinião, faltou apenas escurecer os vidros blindados com película de segurança, mas o administrador e conselheiros não aceitaram. Recomendei a colocação de película bem escura na vidraça blindada frontal e nas laterais. Minha sugestão foi a instalação de película que permita um pouco de visibilidade para facilitar o trabalho de cadastramento feito por nossos porteiros. Afinal, qual sua opinião?”

Inicialmente, enviei mensagem para o chefe da segurança, indagando o motivo que os moradores não queriam escurecer os vidros blindados da portaria; a resposta foi a seguinte: “Os conselheiros alegam que é melhor os vidros continuarem transparentes, pois assim, ao passarem pela portaria poderão avaliar se o porteiro está trabalhando de forma correta. Um dos moradores ainda ventilou que no período noturno teria como verificar se o colaborador está dormindo ou não”.

O que encontramos nessas colocações:

“Muito achismo e pouca certeza”. 

Infelizmente, essa é a tônica nos condomínios residenciais. Sem o auxílio de um analista de risco/consultor de segurança, o opinismo sem base técnica impera e a segurança se fragiliza.

Inicialmente, cabe dizer que o fato de ter guarita blindada no condomínio não é garantia que o prédio não vá sofrer o famigerado arrastão. É só realizar rápida consulta no google com a seguinte frase: “condomínios assaltados; guarita blindada; arrastão”, que o leitor encontrará vários edifícios que foram invadidos mesmo depois de investimento em guarita blindada.

Blindar a portaria é por demais importante para elevar o nível de segurança do local a ser protegido, só que outros fatores também são necessários para minimização de riscos. Um dos equipamentos recomendados, é a “película de segurança”.

O administrador deve ou não aplicar a película na portaria, seja ela blindada ou não?”

Já adianto que a resposta é “sim”, pelos motivos que irei explicar.

Dúvidas na área de segurança patrimonial não devem ser respondidas com “achismos” e sim com embasamento técnico. Alguns princípios universais da segurança privada ajudam a encontrar as melhores soluções para o plano de segurança.

Portanto, preste bastante atenção neste raciocínio:

“Quanto menos informações suspeitos tiverem do local que pretendem invadir, maior é a possibilidade de desistência do intento criminoso”.

Partimos da premissa que para um grupo criminoso, minimamente organizado, invadir um condomínio, necessitará o que chamamos de “informação privilegiada”, ou seja, dados sobre o local que pretende atacar, quais sejam: nível de segurança estabelecido e, principalmente, identificação das falhas e/ou vulnerabilidades que facilitem a invasão sem que funcionários ou até mesmo moradores percebam, pois se isso ocorrer, é claro que a polícia será acionada e as chances de prisão seriam enormes.

Um dos princípios fundamentais da segurança patrimonial, é que o acesso a informações da segurança local deve ser o menor possível.

Observe a arquitetura das dependências da polícia federal ou do exército brasileiro, por exemplo. Encontramos muros altos e guaritas com pequena faixa envidraçada instalada em área superior, pois a intenção é que transeuntes do lado de fora tenham pouquíssima informação sobre o de dentro. Esse conceito deve ser levado para prédios residenciais, que têm sofrido barbaridade com a violência urbana nos últimos anos.

Portanto, não se deve permitir que pedestres que caminhem pela calçada, muito menos aqueles que passam pela clausura de pedestres, depois de devidamente autorizados, tenham acesso a imagens do interior da guarita, seja ela blindada ou não.

Não é interessante que seja divulgado se o porteiro trabalha sozinho ou acompanhado de outro colaborador. Se está armado ou não. Se o monitor de vídeo que exibe imagens das câmeras de segurança está funcionando ou desligado. Se a porta da guarita permanece aberta ou devidamente trancada e etc.

Portanto, a indicação é que os vidros da guarita recebam a película de segurança, conhecida popularmente por insulfilm, sendo que o grau de visibilidade deve impedir a visão do interior do local a ser protegido.

O chefe da segurança que enviou a dúvida, que ensejou a elaboração deste artigo, disse, ainda, que achava que a vidraça blindada lateral, onde é realizado a triagem de pedestres, deveria ter película de segurança, mas numa intensidade menor, permitindo que ambos os lados tivessem visão razoável, pois entende que isso facilitaria o trabalho de cadastramento.

De plano, discordo desse posicionamento. A pessoa que pretende ingressar no condomínio e aguarda autorização, deve ter contato com o porteiro apenas pelo interfone ou intercomunicador, jamais visualmente.  

A estratégia é que o funcionário da portaria possa ver o pedestre, mas o contrário não deve acontecer.

Se for permitida a visão do interior da portaria, é natural que quem está sendo triado comece a bisbilhotar com os olhos o local de trabalho do porteiro. Daí, surge a possibilidade de comentários a respeito de falhas na segurança, mesmo que de forma não intencional.

Alerto o leitor que quadrilhas organizadas, antes de promover invasão, geralmente enviam comparsas para o chamado “levantamento de informação”, que nada mais é que uma análise de risco do edifício. A estratégia é descobrir pontos fortes e frágeis na segurança. Assim, é bastante comum enviarem comparsas travestidos de prestadores de serviço, entregadores ou até mesmo alguém pedindo algum tipo de informação para o funcionário da portaria. Na verdade, esse “olheiro” irá buscar o máximo de informações possíveis. A utilização da película de segurança em toda vidraça dificulta sobremaneira essa avaliação.

Para finalizar, não poderia deixar de tecer comentário para aqueles que acham que moradores devem ter acesso visual do interior da guarita para se certificarem que os colaboradores estão cumprindo as normas internas de segurança. Entendo que o trabalho dos porteiros deve ser fiscalizado, mas de forma profissional.

Tem sido prática recorrente a instalação de uma ou duas câmeras de segurança no interior da guarita para capturar imagens do trabalho do porteiro e da porta de entrada. A estratégia é saber se o colaborador foi rendido por bandidos ou até mesmo se está passando mal.

O monitoramento dessas imagens pode ser feito pelo zelador, síndico e conselheiros, através de smartphone. Por outro lado, recomendamos que empresa especializada em monitoramento externo 24h seja contratada para realizar esse serviço de forma profissional, monitorando ainda sinal de pânico acionado pelo porteiro e a abertura e fechamento da porta da guarita, seja ela blindada ou não, que deverá permanecer trancada a maior parte do tempo, sendo aberta apenas na troca de turnos de colaboradores e para limpeza ou manutenção de equipamentos. Com esse esquema, é garantida segurança em nível elevado e fim de qualquer tipo de preocupação por parte de moradores quanto a falhas e desvio de função dos porteiros.

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